sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O País está doido, sim senhor!

Foi na SIC NOTÍCIAS ou no BIG BROTHER. Não sei bem. Mas foi bom saber que a enormíssima figura pública chamada José Mourinho (que se está mais ou menos nas tintas para Portugal), chegou de avião privado à Portela.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Arte reflecte, em Viseu, o conceito "Antimonumentos"

(Fotografia de André Cepeda)

A partir do dia 15 deste mês, trinta e sete artistas contemporâneos expõem em Viseu, na galeria António Henriques e na sala de ensaios e estúdio do Teatro Viriato.

A exposição é comissariada por Miguel von Hafe Pérez e reúne um segmento significativo de artistas plásticos portugueses: Alice Geirinhas, André Cepeda, Ângelo Ferreira de Sousa, António Olaio, Arlindo Silva, Avelino Sá, Baltazar Torres, Carla Cruz, Carla Filipe, Carlos Correia, Carlos Lobo, Carlos Roque, Cristina Mateus, Eduardo Matos, Fernando José Pereira, Francisco Queirós, Hugo Canoilas, Isabel Carvalho, Isabel Ribeiro, João Fonte Santa, João Marçal, João Serra, João Tabarra, José Maçãs de Carvalho, Luís Palma, Manuel Santos Maia, Miguel Leal, Miguel Palma, Nuno Cera, Paulo Catrica, Paulo Mendes, Pedro Barateiro, Pedro Cabral Santo, Pedro Diniz Reis, Pedro Pousada, Pedro Tudela e Vera Mota.

Segundo o comissário, Miguel Pérez, a exposição chama-se Antimonumentos “porque a reflexão sobre o passado ou sobre o presente nem sempre se produz nas grandes narrativas, nem nos objectos simbolicamente saturados; porque à inquietação sobre o real, os artistas respondem melhor com dúvidas do que com certezas; porque os olhares desviantes nos centram nas franjas do previsível; porque em oposição a uma estratégia curatorial rígida e assertiva se privilegiou a incerteza de respostas inéditas; porque a energia que um evento desta natureza pode constituir-se como discurso complementar à estratificação dicotómica da arte actual, empurrada para extremos ditos alternativos ou demasiado institucionais; porque a decisão sobre o que é ou não arte, sobre o que deve ou não ser exposto e sobre o que vincula uma obra ao seu contexto é, em primeira instância, uma decisão individual dos artistas; assim, numa exposição que dá liberdade criativa aos seus protagonistas, esta questão poderá ganhar uma relevância suplementar; porque a arte tem uma tendência para se levar demasiado a sério, e é nos momentos de dúvida, experimentação e derisão que frequentemente melhor se expressa; porque a cumplicidade é aqui assumida, reiterada e exposta”. “E, finalmente, porque tal como alguém que teimosamente se dedica à divulgação da arte contemporânea numa cidade do interior deste país, é na persistência de pequenos gestos que se consegue tornar a realidade mais habitável, na construção de comunidades que consigam olhar criticamente o que produzem e, quando possível, alargando o seu espectro de acção para comunidades que lhe serão, à partida, alheias”.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Pensar Pessoa a Dançar

(Fotografia de José Alfredo)

No próximo dia 14, no Teatro Viriato, às 21h30, estreia “Masculine”, uma coreografia de Paulo Ribeiro, com os bailarinos Miguel Borges, Peter Michael Dietz, Romeu Runa e Romulus Neagu a interpretar as múltiplas personalidades do poeta Fernando Pessoa.

Segundo o comunicado de imprensa, escrito por Marisa Miranda, esta é “uma peça intensa, quase febril, capaz de levar facilmente o público ao riso ou às lágrimas e que gira à volta do que aproxima esses intérpretes da “pessoa” de Fernando Pessoa”.

(Fotografia de José Alfredo)

Nas palavras de Paulo Ribeiro, registadas no mesmo comunicado de imprensa, “o interesse pela vida normal, banal, de rotinas, de hábitos de Fernando Pessoa e em que isso pode desaguar” foi o que moveu todo o processo criativo, “mais do que agarrar nas palavras”. Na nota à comunicação social pode ainda ler-se que “ainda assim, as palavras do poeta ecoam ao longo desta criação, ao sabor de uma história em que a palavra é roubada e disputada entre quatro homens que recuam no tempo em busca dos seus próprios episódios de vida, de uma audição, de uma ambição desmedida ou de uma traição do corpo que se cruzem com o imaginário pessoano, num turbilhão de expressões que conduzem o público por uma montanha russa, apreendida por todos os sentidos e pautada pela beleza dos momentos ou pela energia que transpira esta peça”.

Em estreia nacional, a coreografia “Masculine” - que participou no Festival "Temps d´Aimer", em Biarrtz, França - volta a subir ao Palco do Teatro Viriato no sábado, dia 15 de Setembro, às 21h30.

Masculine” - uma co-produção da Companhia Paulo Ribeiro, Teatro Maria Matos, Centro Cultural Vila Flor e Teatro Nacional São João - segue depois para o Porto (Teatro Nacional São João, dias 27, 28, 29), Lisboa (Teatro Maria Matos, dias 27 e 28 de Outubro), Guimarães (Centro Cultural Vila Flor, dia 8 de Dezembro), Évora (14 e 15 de Março de 2008).

Anoitecer ao Tom Dela, edição de terça-feira, dia 11 de Setembro de 2007

Mil e Duas Noites - Rubrica de Daniel Abrunheiro, emitida entre as 22h e as 23h, de segunda a sexta-feira.

A história de hoje tem por título " A Casa Do Alívio" e é contada em dez parágrafos musicais.

"Quem quiser levar para casa menos do que aquilo que trouxe, pode e deve vir à minha loja. Foi uma ideia boa que tive. Talvez tenha sido mesmo a única ideia boa que tive na vida. A loja chama-se Casa do Alívio. Fica aqui mesmo, onde e de onde vos falo – numa viela perfumada por mijo de gato e sangue cigano; num beco adormentado por garganta de fadistagem e ausência de sol. Casa do Alívio – ao Vosso dispor.

O cliente entra, examina à vontade a mercadoria exposta e faz ou não faz negócio. Eu é que sei, mas o truque é o cliente pensar que ele é que sim. Não é verdade, mas a Casa do Alívio também negoceia mentiras e derivados.

Uma ocasião, entrou-me pela loja uma senhora com uma proposta de considerável importância. Propunha ela que, em troca de todo o seu passado, eu a brindasse com algo de perfeita inutilidade mas que não pudesse ser dispensado. O passado dela cabia todo em duas caixas de sapatos vazias. Fiz-lhe então uma contraproposta irrecusável.

A senhora oferecia-me todo o passado dela. Eu tinha de entregar-lhe alguma coisa que fosse inútil e indispensável. Dei-lhe uma das caixas de sapatos dela. Ela perguntou-me: – O que é que está aqui dentro? E eu respondi: – Aqui dentro está o futuro da senhora. Ela saiu da loja com a caixa e nunca mais voltou.

Toda a gente sabe que é no Inverno que o mar mais falta faz. Estava eu a equilibrar uma prateleira com um calço de cartão, quando senti que a porta se abria a um espírito novo. Fui ao balcão e dei de caras com a alma de um marinheiro sem barco. E a alma foi direita ao assunto.

– Tenho saudades do mar, mas não tenho barco – disse o marinheiro. E eu disse-lhe assim: – Mas isso é um negócio fácil. Fico com as saudades que me traz. Agora, vê o senhor como chove lá fora? Estenda-se no chão ao comprido e apoie os pés no muro da igreja de S. Bartolomeu. O muro faz de barco. Como agora a chuva lhe há-de vir de lado, faz de mar.

O negócio tem-me corrido bem. Consegui contrariar, aliás, os maus augúrios do meu avô materno. – Nunc’ádes ser nada – dizia-me ele, que jamais tinha sido coisa alguma. Com o êxito da Casa do Alívio, posso responder-lhe hoje assim: – Pois não, avô. Mas hei-de ser tudo.

O passado daquela senhora de quem vos falei, foi levado porta fora por um viúvo irremediável que se tinha esquecido por completo da falecida. Deixou-me ele, em compensação, uma resma de folhas de papel-químico.

Algum tempo depois, recebi, de novo, a visita do viúvo. Por instantes, tive medo de que, pela primeira vez na história da Casa do Alívio, um cliente não tivesse ficado satisfeito. Mas não. O caso é que o viúvo estava contente com o passado novo da sua defunta – só que não tinha saudades. Dei-lhe de borla as saudades do marinheiro, tal foi o meu alívio.

À noite, fecho a loja e fico exposto à incerteza de todo o comerciante quando volta ao estatuto de cidadão. Vou à rulote das bifanas, janto mostarda e cerveja e pago a despesa com uma das folhas de papel-químico nas quais, à transparência da contraluz, vou escrevendo e contando estas histórias. "

Filhos da Madrugada - Rubrica de Sandra Bernardo, emitida entre as 23h e as 24h, de segunda a sexta-feira. Hoje é dedicada a Harry Connick, Jr.

Mas o Anoitecer ao Tom Dela começa às 20h. Até às 21h, há música em português, o Dia a Dia Cultural e uma história infantil. Das 21h às 22h, a música chega dos quatro cantos do mundo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007